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A Cidade - História


A cidade de Mendes

A cidade de Mendes tem origem em um simples rancho para pouso de tropas, erguido às margens do “Caminho Novo do Tinguá”, num atalho que ligava a aldeia de Valença com a cidade do Rio de Janeiro. O pequeno aglomerado, de temperatura agradável e solo fértil, começou lentamente a se desenvolver graças à constante circulação de tropeiros.

Mapa de Mendes

Suas primeiras e rústicas construções foram levantadas por volta de 1820, ainda na fase inicial do ciclo do café. A cidade teve, originalmente, características de núcleo de apoio às atividades rurais. Segundo a tradição, a ocupação das terras teve início com a Fazenda Santa Cruz, de propriedade do Barão de Santa Cruz, transferida para a família Mendes. O Arraial dos Mendes tem seu primeiro registro em 1847 e a partir daí a vila cresceu e, por volta de 1850, passou a ser conhecida por Santa Cruz dos Mendes. A partir daí, desenvolveu-se na região o cultivo do café. A versão tradicional de que Mendes tenha sido fundada em terras da Fazenda Santa Cruz, pertencente ao Barão do mesmo nome não encontra respaldo histórico, porque o 2º Barão de Santa Cruz, Bartholomeu Torquato de Souza e Silva era um pernambucano, tendo sido promotor em Pau DAlho até por volta de 1865, e que adquiriu seu título em Portugal em 1870. Veio, portanto, a residir em Mendes muito depois de a vila ter sido formada, mantendo negócios na capital, inclusive tendo sido concessionário de uma rede de bondes junto com o coronel Julio Braga. Não existe registro histórico de nenhuma Fazenda Santa Cruz, de propriedade de alguma família Mendes, mas somente da antiga Imperial Fazenda de Santa Cruz, tomada dos jesuítas pela Coroa, cujas terras foram distribuídas em Sesmaria. Já o 1º barão de Santa Cruz ganhou seu título das mãos de D. Luis, em Portugal em 1806, mas dele, Antonio Vicente Peixoto de Mendonça e Costa, não se tem notícia de ter alguma vez vindo ao Brasil, quanto mais a comprar fazendas. Outro nobre com título semelhante foi o Principe estrangeiro D. Augusto Carlos Eugênio Napoleão, duque de Leuchtenberg, genro e cunhado de D. Pedro, que dele ganhou o título de Duque de Santa Cruz, e que nunca possuiu nenhuma propriedade no Vale do Paraíba Fluminense. Dessa forma, dentre os três detentores de título de nobreza sob a alcunha de Santa Cruz, dois nunca vieram ao Brasil, e o outro só se estabeleceu no município já quase no fim da economia cafeeira na região e, mais de meio século após o surgimento das primeiras habitações, portanto, não pode ser considerado fundador ou pioneiro do município.

Mendes

O grande crescimento da lavoura cafeeira provocou a vinda da ferrovia para a região. Em 1864, foi inaugurada a estação da Estrada de Ferro D. Pedro II. Às margens dessa ferrovia foram sendo construídas as seguintes estações: Mendes, Humberto Antunes, Martins Costa, Nery Ferreira e Morsing.

Em 1889, lá se instalou a companhia de papel Itacolomy, iniciando a fase industrial do município, onde depois surgiriam outras fábricas, como a cervejaria Teutônia, a fábrica de fósforos Serra do Mar, o Frigorífico Anglo e outras. No entanto, é com a inauguração da iluminação elétrica, ocorrida em 12 de outubro de 1912, que o município demonstra um potencial para o desenvolvimento. Desta forma, a região vivenciou duas fases distintas de desenvolvimento: a primeira ligada ao cultivo do café, no século XIX, e a segunda, no século XX, com a implantação das indústrias.

Informações oficiais

Localização: Sul Fluminense.

Área: 96,3 km².

População: 17,881 hab.

Censo: IBGE/2013.

Altitude: 446 m.

Clima: Tropical de Altitude.

Média Anual: 24°C.

Distância da Capital: 92 Km.

PIB: 171.986 - IBGE/2009.

Den. demo.(hab/km²): 184.83 - IBGE.

Gentílica: Mendense.

IDHM: 0,736 - IBGE/2010.

Residentes: 8.651 H. / 9.284 M.

Fonte: Acessoria de imprensa de Mendes.

Cidade Turística

Mata Atlântica

A exuberância da Mata Atlântica oferece inúmeras opções de lazer rural, com seus passeios ecológicos. Trilhas levam aos mirantes Boa Esperança, do Cruzeiro, do Sítio Rancho Fundo; ao gigantesco jequitibá com 23 metros de altura e 5,95 metros de circunferência, localizado numa área particularmente agradável com açudes e belo visual. Os rios oferecem as cachoeiras do Amaral, do Hotel Cascatinha e do Sanatório. De se ressaltar ainda que a Mata Atlântica, presente em boa parte do município, favorece a exploração de muitas trilhas de turismo ecológico. As excelentes condições climáticas e paisagísticas provenientes do relevo da Serra do Mar, favorecem cada vez mais o desenvolvimento das atividades turísticas do município. Na região de Mendes, a Serra se identifica pelos vales estreitos entre elevações colinas, que se estendem com seus morros recobertos com densa vegetação.

Matriz de Santa Cruz

Localizada no centro da cidade, a Igreja Matriz de Santa Cruz está situada em um terreno arborizado doado pela Baronesa Adélia Vieira Nunes e pelo Barão de São Carlos, Carlos Pereira Nunes, onde encontrava-se a praça que se integrava ao belíssimo Mendes Hotel de propriedade dos mesmos. Tempos depois, com os falecimentos dos Barões, tornou-se colégio comercial, e hoje centro comercial mendense. A fundação da igreja matriz é datada de 1857, ou seja final do século XIX. A igreja é de arquitetura simples, em seu interior encontram-se quadros em gesso, retratando a via sacra, e duas imagens em suas laterais. Ao fundo, encontra-se uma cruz de um metro de comprimento, em bronze. A Igreja possui ainda, vitrais em forma de círculo e um coro de 10 metros de largura.

Prédio do SENAI

Um dos prédios de maior valor histórico para o município, abrigou a Cervejaria Teutônia, no final do século XIX, e o Frigorífico Anglo, de 1915 aos anos setenta.

Casa do Barão de Santa Cruz

A suposta Casa do Barão de Santa Cruz é uma construção do século XIX, e sediava uma das fazendas cafeeiras da região, pertencendo, segundo a lenda, até então ao referido Barão. Trata-se de uma construção de pavimento único coberta por telhas coloniais feitas por escravos, uma residência típica do ciclo do café.

Sede da Câmara dos Vereadores

Seu prédio de dois pavimentos com uma belíssima influência da arquitetura inglesa do início do século XX, sediava ali, na era industrial que tanto contribuiu para o progresso de Mendes, a inspeção Sanitária do Frigorífico Anglo. Em 1909 teve início a sua construção, sendo inaugurado em 1913, com a denominação de Cia. Frigorífica e Pastoril. Este grupo inglês comprou a antiga Cervejaria Teutônia na cidade, transformando-se em Matadouro Frigorífico. Depois do incêndio em 1967, que destruía o Frigorífico Anglo, o prédio foi reformado anos depois para abrigar o Poder Legislativo do município, preservando o valor histórico do seu aspecto externo.

Capela São José do Colégio dos Irmãos Maristas / Ruínas do Hotel Santa Rita

Foi, primeiramente, uma grande fazenda de café do Barão de Benevente, quando transformado em hotel, tornou-se famoso. Contava com luz elétrica e uma linha de bondes puxados a burro. Recebia um grande número de veranistas em busca de repouso e diversão, além de pessoas convalescentes, atraídas pela qualidade do clima. Um grande incêndio destruiu quase tudo que havia, restando apenas suas majestosas colunas, o paredão de pedras e algumas palmeiras imperiais.

Estação Ferroviária

O prédio da Estação Ferroviária, inaugurado em 1911, é apontado como a imagem mais significativa de Mendes, pois foi construído para atender à grande demanda das indústrias locais que estavam em intensa atividade. Todo construído em pinho de riga, sua edificação representa o que houve de mais belo e bom gosto outrora e, por conseguinte, representa um período extremamente próspero do município.

Frigorífico Anglo

O surgimento do Frigorífico Anglo está interligado ao ciclo do gado, de um lado, e aos trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, do outro, ligando Barretos, o maior entreposto de bovinos do frigorífico de São Paulo. Em 1909 teve início a sua construção, sendo inaugurado em 1913, com a denominação de Cia. Frigorífica e Pastoril, abatendo no início 28.251 bovinos e 1334 suínos. Nessa época em Londres, no tradicional mercado mundial de carnes da West Smithfeld, empresa de sucesso no ramo de carnes procurava expandir seus negócios, tendo em vista o início da guerra que eclodiu em 1914. Este grupo inglês comprou uma antiga cervejaria situada na cidade, transformando-se em Matadouro Frigorífico, constituindo-se a Brazilian Meat Company.

Ladeira João Viera

Com calçamento pé-de-moleque, construída por escravos no século XIX, localizada no centro de Mendes, este patrimônio cultural é o testemunho da história de um povo bom e hospitaleiro. Retrato de uma gente simples e sem artifícios, sendo os leias seguidores da ideologia dos antigos tropeiros que por aqui passaram e deixaram os seus registros. Localização: Ladeira João Vieira - Centro / Próximo a Drogaria Macedo.

Jequitibá milenário

Estudos comprovam através de método especial de medição e avaliação, que essa espécie com circunferência de 1,60m, tem aproximadamente 1,94 de diâmetro à altura do peito (PDA). Localiza-se no Sítio do Sr. Octávio Nascimento Júnior (Seu Tavinho), em ambiente com excelentes níveis de água, ar e clima, tem a idade estimada de aproximadamente 1300 anos. Localização: Bairro Maracajá (Martins Costa) Distância do Centro: 7 km

Túnel 12

Para escoar a enorme produção cafeeira do Vale do Paraíba, o Imperador D. Pedro II contratou firmas inglesas e americanas para construir a ferrovia. Devido ao relevo da região, surgiu à necessidade de abrir um túnel com 2.233 metros, que foi construído entre 1858 e 1865, e que foi o maior túnel ferroviário do mundo, sendo atualmente o maior da América Latina. Em 1914, perfura-se o segundo túnel com 2245 metros. Localização: Estação do Bairro Humberto Antunes.

Mirante Boa Esperança

A exuberância da Mata Atlântica oferece inúmeras opções de lazer rural, com seus passeios ecológicos. Uma estrada de chão leva ao mirante Boa Esperança, lugar agradável e com vista panorâmica (morros e vales).

Igreja Matriz de Santa Cruz

Devido aos números de católicos mendenses houve a necessidade de construir uma Igreja maior, então, foi doado um terreno pela Prefeitura Municipal de Mendes de acordo com a Camâra de Vereadores, aonde é hoje a atual Igreja Matriz de Santa Cruz. Atualmente ela está sendo restaurada e recebendo muitas visitas pela Estrutura visual. Localização: Rua Capitão Francisco Cabral, 150 – Centro.

Capela do Coração Eucarístico de Jesus

O Hotel-Fazenda São José das Paineiras é um grande atrativo que não pode deixar de ser visitado. Trata-se de uma antiga fazenda de café do século XIX, que em 1903 foi comprada pelos irmãos Maristas, devido ao agradável clima local. O destaque do hotel é a capela, datada de 1949, com vitrais que contam a história de São Marcelino Champagnat, fundador da Ordem Marista. As muitas trilhas, que são largas, gramadas, sempre cobertas pelas copas das árvores e que podem ser percorridas tanto a pé quanto a cavalo - muitas delas abertas para interligar as fazendas cafeeiras da região - são uma das alternativas de lazer da fazenda, além do curral onde é possível dar mamadeira aos bezerros, ordenhar uma vaca ou alugar um cavalo para um passeio. A fazenda conta com uma agroindústria, em que são produzidos queijos, doces e licores, além da extração diária de 130 litros de leite e da produção de 300 quilos de bananas por mês. Há também uma horta orgânica, sem agrotóxicos, de onde é colhido 90 por cento do que é consumido no hotel. MAs visitas devem ser agendadas pelo telefone (24) 2465-2266. Localização: Rodovia RJ/127 KM 32.

Chorinhos aos domingos

Mendes possui um dos melhores climas do estado do Rio. Mas há outro motivo para o turista visitar a cidade: o Chorinho. Um ritmo, com mais de 130 anos, que ainda é sucesso no município. Esse fato é observado todos os domingos, de 11h às 14h. Na ocasião a Praça Dr. João Nery recebe mais de 400 pessoas. O público se reúne para se divertir ao som do chorinho do grupo Passagem de Nível, que há mais de 6 anos mantém a tradição de Mendes. Em suma, a Cidade do Choro oferece aos turistas um estilo próprio de cultivar arte e cultura. Resultado: Mendes vem atraindo artistas de peso no cenário da música brasileira. A entrada é franca e a classificação livre.

Dados Históricos

MendesAo chegarem ao Brasil no século XVI, os jesuítas fixaram-se nessa região e catequizaram os índios coroados que aqui habitavam. No início do ciclo do café estabelece-se na região de Mendes, a Fazenda de Santa Cruz, do Barão de Santa Cruz. A cidade de Mendes teve origem às margens do atalho, posteriormente transformada em Estrada Presidente Pedreira, que ligava a aldeia de Valença à cidade do Rio de Janeiro. Suas primeiras edificações datam de 1820, na fase inicial do Ciclo do Café. Em 1820, Mendes era apenas um atalho, que ligava Valença ao Rio de Janeiro. Surgiram os primeiros ranchos de pouso das tropas que levavam o Café de Valença ao Rio de Janeiro. Mendes era um curato e pertencia a Piraí.

Em 13 de outubro de 1838, passou a ser distrito.

Em 16 de setembro de 1841, voltou a ser curato, talvez por te sido mal administrado.

Por volta de 1850, a família Mendes, ricos fazendeiros de São João Marcos, adquire a Fazenda Santa Cruz e a faz prosperar, passando a ser conhecida por "Santa Cruz dos Mendes". A enorme fazenda veio a se subdividir nas fazendas Boa Esperança, São Joaquim, Santa Helena, Santa Maria (hoje, Hotel Arvoredo), São José das Paineiras (hoje, Centro Marista) e outras.

Em 19 de setembro de 1855, foi elevado a categoria freguesia. Em 20 de novembro de 1855, torna-se freguesia novamente.

Em 26 de agosto de 1856, deixa de pertencer a Piraí, e passa a pertencer Vassouras.

Em 1860, grande processo por causa da construção da Estrada de Ferro Dom Pedro II, que trouxe muitos elementos estrangeiros.

Em 1888, com a liberação dos escravos, em treze de maio, sua economia sofreu um grande golpe.

Em 1889, houve a instalação da companhia de Papel Itacolomi e a Fábrica de Fósforos da Empresa Industrial Serra do Mar.

Em 1890, Mendes deixa de pertencer a Vassouras e passa a pertencer Barra do Piraí. Seu progresso voltou com a Pecuária e a Indústria.

Em 1900, surge a Fábrica de Cerveja Teotônia, mais tarde adquirida pelo Frigorífico Anglo S/A, sendo transformada num dos mais importantes conjuntos industriais de carne do país, até ser destruído em 1966, por um incêndio.

Em 1915, surgiu o Frigorífico Anglo S/A, que transformou Mendes num dos mais importantes conjuntos Industriais de carne do País.

Em 1940, foi criado um movimento liderado pelo Dr. Álvaro Berardineli, pela Emancipação do Distrito.

Em 11 de julho de 1952 Mendes torna-se Município por lei sancionada pelo Governador Ernani do Amaral Peixoto.

Embora tenha sido próspero, o município atualmente possui pequenas indústrias, que junto com o comércio, o funcionalismo e o turismo, constituem as principais fontes de renda e emprego da localidade.

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